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SPECTROLAB em Residência no Brasil e na França

Durante todo o mês de novembro, o Coletivo Spectrolab de Investigação Cênica estará na cidade francesa de Grenoble, trabalhando nos últimos preparativos antes de dar vida ao espetáculo de formas animadas “Jantar”. Com estreia marcada para o dia 29 de novembro, o espetáculo será apresentado ao público francês no Teatro MC2: Grenoble, um dos mais tradicionais do país, conhecido pela estrutura e importância na cena cultural da Francesa.




O projeto integra o Programa Cruzamentos, por meio do Edital Bolsa Funarte e Aliança Francesa de Residências Artísticas em Artes Cênicas Brasil/França, que tem como objetivo promover o intercâmbio cultural entre os dois países. A França é referência internacional no teatro de formas animadas, uma linguagem artística que utiliza objetos, bonecos, fantoches, marionetes e outros elementos animados para contar histórias e criar performances teatrais.



Essa é uma das principais práticas artísticas conduzidas pelo Coletivo Spectrolab. As próximas quatro semanas serão dedicadas aos ensaios, aos ajustes de figurinos e cenários, à adaptação final de máscaras e bonecos, além da tradução do espetáculo para o idioma francês. Com o projeto, o grupo pretende fortalecer a linguagem artística no Brasil.



Um dos atores da peça é Douglas Peron, que está em Grenoble desde o dia 1º de novembro e afirma estar ciente da importância dessa experiência no desenvolvimento profissional do Spectrolab. Para ele, há uma mistura de emoções: “ao mesmo tempo que ainda é difícil de acreditar no que está acontecendo, estamos todos muito focados e concentrados em nosso trabalho, porque sabemos o que tudo isso representa para nós que viemos de Cuiabá. É um passo excepcional em nossas carreiras, mas é também fruto da nossa dedicação de vários anos”, afirma o artista.



Espetáculo “Jantar” e as tradições amazônicas



Com direção de Rakoo de Andrade e dramaturgia de Caio Ribeiro, “Jantar” aborda questões ambientais relacionadas ao descarte de resíduos e seus impactos na vida da Amazônia, Cerrado e Pantanal, os três biomas presentes em Mato Grosso. Quem divide o palco junto com Douglas Peron é a atriz Millena Machado, manipulando objetos produzidos a partir de materiais residuais coletados por eles em Cuiabá, especialmente eletrônicos. A dupla compõe cenas que simbolizam aspectos culturais e ambientais da Amazônia Brasileira, como animais e personagens folclóricos.




O enredo é uma releitura da figura folclórica Capelobo, uma lenda presente nas regiões amazônicas e na cosmologia de povos indígenas do norte do país. Segundo a tradição, essa figura vive nas florestas e é conhecida por ser uma combinação híbrida entre um ser humano e um tamanduá-bandeira. Na peça, uma família vive e trabalha sob a influência de uma fábrica instalada no interior do Brasil. Seus integrantes possuem cabeças de tamanduá-bandeira e sentem os mistérios de uma vila assombrada por momentos de terror.



Residências artísticas



Desde junho deste ano, o Spectrolab embarcou em uma série de residências artísticas para desenvolver o espetáculo. Em Belo Horizonte (MG), o grupo esteve na sede do coletivo mineiro Pigmalião Escultura que Mexe, reconhecido internacionalmente por sua trajetória no teatro de bonecos. Lá, o Spectrolab trabalhou nas cabeças de tamanduá e promoveu encontros entre a Aliança Francesa e os artistas franceses e brasileiros envolvidos no projeto.



Em seguida, o coletivo retornou à Cuiabá, com os artistas franceses, para a segunda etapa da residência no Brasil. Na capital mato-grossense, o grupo deu sequência à dramaturgia, iluminação, trilha sonora e investigação corporal do espetáculo, movimentando três espaços culturais na cidade, entre eles o Labirinto Espaço Criativo, onde está localizada a sede brasileira do Spectrolab. Na gravadora Sumac Records, a equipe se reuniu com Lucas Oliveira, para dar início a sonoplastia de “Jantar”. E no Cine Teatro Cuiabá, onde utilizaram a Sala Anderson Flores para realização de ensaios regulares.



A terceira e última etapa da residência brasileira aconteceu na sededa Aliança Francesa Botafogo, no Rio de Janeiro. Foi lá que o coletivo realizou a primeira mostra de resultados do projeto, direcionada principalmente a outros artistas de formas animadas e às instituições parceiras, patrocinadoras e apoiadoras.



Douglas Peron ainda acrescenta: “Já temos planos para quando retornarmos ao Brasil. Queremos colocar o espetáculo em circulação, com apresentações em Mato Grosso e outros estados. Estamos muito confiantes com os resultados da montagem, principalmente porque a troca de experiências com a equipe francesa tem sido fundamental. A gente espera mostrar no Brasil o quanto avançamos em nosso compromisso com esse espetáculo. Vai ser lindo viver tudo isso”.



O Coletivo Spectrolab foi fundado em 2016 pelos artistas Douglas Peron, Millena Machado e Rakoo de Andrade, em Cuiabá. Em 2022, Rakoo estabeleceu oCollectif Artistique Spectrolab, versão francesa do coletivo, localizada na cidade de Reims. Atualmente, o Spectrolab desenvolve projetos artísticos nos dois países, sendo “Jantar” o primeiro projeto intercontinental do grupo. O Coletivo conta ainda com a participação dos artistas franceses Cassiel Bruder, Laurine Chalon e Morgane Carlyle, além do brasileiro Caio Ribeiro, que também é integrante permanente do Spectrolab.



Em pouco mais de 7 anos de trajetória, o Coletivo Spectrolab coleciona uma série de projetos artísticos, educativos e de pesquisa, selecionados em editais públicos e privados, tanto no Brasil quanto na Europa. Alguns de seus principais projetos ainda incluem "Agustino Peixe Grande", "Da Lama Nasce", "Maiêutica", "Epifânia", "Resí(duo)", "Coió", "Laboratório Corpos Residuais", "Ensaios com Ela", "Le vide entre la tête et la queue" e "Do que Restou".




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